Notícia · 22 de setembro de 2026

Pilar da ciência rural brasileira: Eliseu Alves é homenageado por seu legado na criação da SOBER

Brasília – Em um momento marcante de reverência à história do pensamento agrícola nacional, Eliseu Roberto de Andrade Alves recebeu, nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, uma placa honorífica entregue pelo atual Presidente da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), Marcus Peixoto, em homenagem à sua dedicação seminal à própria fundação da entidade e sua vasta contribuição às pesquisas voltadas para o desenvolvimento rural e sustentável do Brasil. A entrega contou com a participação de sua esposa, Heloisa Alves, do pesquisador da Embrapa Elisio Contini, ex-Presidente da SOBER, nas gestões 1989 a 1991 e 2005 a 2007, e do pesquisador do IPEA José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, ex-Diretor Secretário da SOBER na gestão 2015-2017.

Nascido em 27 de dezembro de 1930, em São João del-Rei *MG), e com uma vida dedicada sem interrupções ao serviço público e à investigação científica, a trajetória de Eliseu Alves confunde-se com a própria modernização do campo no país. Graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) em 1954, Eliseu Alves buscou no exterior o aprofundamento das ciências sociais aplicadas à agricultura: obteve os títulos de mestre (1968) e Ph.D. (1972) em Economia Agrícola pela prestigiada Purdue University (EUA).

Essa visão de que a técnica agrícola precisava caminhar lado a lado com a economia e a sociologia rural esteve presente desde o início de sua carreira. Ainda na década de 1950, durante seus 17 anos na extensão rural na então Acar-MG (atual Emater-MG), Eliseu participou ativamente do movimento de intelectuais e agrônomos que culminou na fundação da SOBER, em 19 de fevereiro de 1959. Integrante do seleto grupo de sócios fundadores da entidade, ele ajudou a instituir a sociedade com o propósito inovador de congregar pesquisadores, fomentar o intercâmbio de conhecimento e subsidiar políticas públicas para transformar a realidade agrária brasileira.

Seu impacto estruturante na agricultura nacional consolidou-se em definitivo na década de 1970. Ao lado de um grupo pioneiro de cientistas sociais, Eliseu concebeu e defendeu junto ao governo o modelo institucional que deu origem à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Como diretor (1973–1979) e posteriormente presidente da instituição (1979–1985), liderou a mais ambiciosa política de capacitação científica da história agrícola do país, promovendo a pós-graduação de cerca de 1.600 pesquisadores em 12 anos — marco decisivo que alçou a Embrapa a referência global em pesquisa tropical. Entre 1979 e 1981 Eliseu presidiu a SOBER, ao mesmo tempo em que acumulava a presidência da Embrapa. Mais tarde, Alves também liderou a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e assumiu a Secretaria Nacional de Irrigação, além de atuar intensamente na docência e na orientação de mestrados e doutorados em instituições como Cedeplar/UFMG, USP e FGV. Em 2004 foi o primeiro associado da SOBER a receber a honraria de membro legendário, por suas contribuições para o desenvolvimento da Sociedade e das pesquisas em economia agrícola.

Ao comemorar décadas de realizações, o tributo conferido em 14 de setembro de 2026 pela atual Diretoria da SOBER reafirma o reconhecimento da comunidade científica à estatura intelectual de Eliseu Alves. A placa celebra não apenas o pioneirismo do sócio fundador que ajudou a erguer a SOBER, mas a lucidez de um pesquisador cuja vida inteira foi consagrada ao desenvolvimento rural, à ciência pública e à prosperidade do campo brasileiro.

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